segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

PF engaveta R$ 100 milhões da verba de combate ao tráfico

Quase metade do orçamento destinado à área no ano passado não foi aplicada.


1
Cocaína da Colômbia apreendida pela PF em outubro no Maranhão
O mesmo Brasil que enfrenta uma sangrenta escalada da violência nos presídios, com o fortalecimento das facções criminosas e rebeliões em série, se dá ao luxo de gastar mal ou sequer gastar todo o dinheiro que têm disponível para combater o crime organizado, especialmente o tráfico de drogas.
Dos 221,8 milhões destinados pelo orçamento da União à Polícia Federal para prevenção e combate ao tráfico de drogas em 2016, a PF gastou efetivamente 122,8 milhões, o que representa 55,2% do total. Portanto, quase R$ 100 milhões deixaram de ser investidos (R$ 98,8 milhões). Os dados foram levantados pela reportagem no portal do Siafi.
Desde 2013, as apreensões de cocaína estão em queda no Brasil. Passaram de 41,7 toneladas em 2013 para 33,8 em 2014 e 27,2 em 2015. Os dados de 2016 foram solicitados pela reportagem à Polícia Federal, mas, até o fechamento desta edição, não houve retorno.
O Brasil é o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo relatório de 2016 da ONU. A região Norte, front das batalhas recentes entre facções, é também uma rota importante para escoar a droga importada dos vizinhos do Norte, como Colômbia e Bolívia, para a Europa.
A PF foi procurada para comentar os investimentos que deixaram de ser feitos e se eles têm prejudicado as operações na área, mas não respondeu à reportagem.
Na quinta-feira, o jornal “Folha de S. Paulo” divulgou que o Fundo Penitenciário Nacional (Fupen) reduziu em 85% os repasses às penitenciárias brasileiras entre 2014, quando aplicou R$ 114 milhões na área, e 2016, quando o total investido despencou para R$ 17 milhões.
De acordo com levantamento da Contas Abertas, R$ 2,4 bilhões ainda estão “parados”, lançados como “disponibilidades” do Funpen. Há anos os recursos do fundo, constituído na década de 90, não são plenamente aplicados. Dessa forma, o saldo contábil cresceu sistematicamente – em 2000 o saldo disponível e não aplicado atingia apenas R$ 175,2 milhões.
No ano passado, a reserva chegou a atingir R$ 3,8 bilhões. Em dezembro, o governo federal liberou R$ 1,1 bilhão do fundo para os Estados.
No Ministério da Defesa, responsável pelo monitoramento das fronteiras livremente exploradas pelos traficantes, também sobrou dinheiro no caixa. O total do orçamento autorizado para 2016 era de R$ 84,3 bilhões, um corte de R$ 1,3 bilhão em relação a 2015. Porém, o valor efetivamente executado no período foi de R$ 78 bilhões. Sobraram nos cofres da pasta R$ 6,3 bilhões, segundo informações obtidas pela reportagem no Siafi.
Procurado, o ministério não retornou a O TEMPO até o fechamento desta edição. Na última quinta-feira, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, informou em entrevista coletiva que o governo investirá R$ 450 milhões em monitoramento de fronteiras. “Vamos adquirir ferramentas tecnológicas, como radares móveis e sensores”, afirmou.
O consultor José Vicente Silva Filho, ex-secretário nacional de segurança pública, avalia que deixar sobrar dinheiro no caixa em uma conjuntura complexa como a atual mostra que o combate ao tráfico de drogas não é prioridade da Polícia Federal e nem do ministério da Defesa.
“Eu tenho comentado que a Polícia Federal precisaria dar uma prioridade maior para o combate ao tráfico. É ele que alimenta a violência nos presídios e fortalece as facções, que encontram terreno livre para atuar”, disse o especialista a O TEMPO.


MINIENTREVISTA

José Vicente Silva Filho, ex-secretário nacional de segurança pública (2002), mestre em psicologia social pela USP e consultor em segurança
A Polícia Federal deixou de gastar R$ 100 milhões da verba que tinha para combate ao tráfico em 2016. Que avaliação o senhor faz dessa situação?
Esse é um problema muito sério. Você não gastar é tão ruim como estourar a verba. Quando você elabora o orçamento, isso é feito em cima de uma necessidade operacional. Se não gastou todo o dinheiro, ou exagerou no planejamento ou teve problema de gestão. E não é só isso. Verificamos que, no atual governo, tem um enorme dinheiro do Fupen (Fundo Penitenciário Nacional) que não foi aplicado. Isso é muito grave.
Como o senhor analisa o combate ao tráfico de drogas hoje no Brasil? Funciona?
Eu tenho comentado que a Polícia Federal precisaria dar uma prioridade maior para o tráfico do que está dando atualmente. O tráfico responde pela maior expressão criminosa no Brasil. É a base de uma rede de violência que está por trás da guerra dentro dos presídios, mais em evidência hoje, e também na guerra das favelas do Rio. O tráfico de drogas alimenta uma cadeia criminosa e deveria ser tratado com mais ênfase pelas autoridades. O Ministério da Justiça sabe que essa é uma deficiência, e colocou entre as metas do futuro do plano de segurança um aumento de 15% na apreensão de drogas e armas. Vamos ver.
O policiamento e monitoramento das fronteiras hoje tem sido outro gargalo. Qual a importância desse trabalho no atual contexto?
Tem uma importância muito grande, pois é pelas fronteiras que a droga entra. Não há um trabalho efetivo de controle nessas áreas. Nossas fronteiras estão vulneráveis, e isso está diretamente relacionado a falta de prioridade na política de segurança do Brasil hoje. São 17 mil km de fronteiras.
Para o senhor, qual a relação entre as falhas no combate ao tráfico de drogas e o fortalecimento das facções que atuam nos presídios?
As facções se fortalecem na fraqueza das instituições. Quanto mais lenta e frágil é a reação da estrutura pública, no caso, as polícias, mais esses grupos se fortalecem. O crime cresce na deficiência e na lentidão da resposta das instituições a suas ações. (AR)
Fonte:http://www.otempo.com.br/
Compartilhar:

0 comentários:

Postar um comentário

Anuncie aqui!

Anuncie aqui!
Para anunciar aqui faça contato com (35) 3715-7938

Poltrona 1 Turismo

Poltrona 1 Turismo
Venha viajar com a gente!

JEIZA MANICURE "UNHAS EM GEL"

JEIZA MANICURE "UNHAS EM GEL"
TELEFONES - (35) 3721-3625 e (35) 9 9943-0635 E-mail: jeizaxu@hotmail.com

JARDIM SECRETO OUTLET INFANTIL

JARDIM SECRETO OUTLET INFANTIL
JARDIM SECRETO OUTLET INFANTIL

WHATSAPP da Regional do Cscs Poços de Caldas

WHATSAPP da Regional do Cscs Poços de Caldas
Deixe sua mensagem

CENTRO SOCIAL DOS CABOS E SOLDADOS

Seguidores do Blog:

Total de visualizações de página

Postagem em destaque

PADRE POLICIAL MILITAR CELEBRA PELA 1ª VEZ UMA MISSA EM POÇOS DE CALDAS

  A noite de domingo (22), foi reservada para um momento de agradecimento, fé e oração e foi direcionada especialmente aos militares da...

Arquivo do blog